quarta-feira, 21 de junho de 2017

O CÉREBRO DOS CEGOS SE RECONECTA PARA USAR OUTROS SENTIDOS

Esta capacidade é conhecida como 'neuroplasticidade', na qual o cérebro se adapta naturalmente às experiências que cada ser humano necessita. O cérebro se reativa de uma forma a poder utilizar a informação disponível para interagir com o meio ambiente de uma maneira mais eficaz.

Os cérebros das pessoas que nascem cegas, fazem novas conexões na ausência de informação visual,, levando a melhora de habilidades para compensar a deficiência visual, como um maior sentido da audição, olfato e tato, inclusive funções cognitivas (como a memória e a linguagem, segundo um novo estudo dirigido por investigadores do 'Massachusetts Eye and Ear', nos Estados Unidos.
O informe, publicado na edição digital em 'Plos One', descreve pela primeira vez as mudanças estruturais, funcionais e anatômicas combinadas no cérebro, principalmente naqueles nascidos com cegueira que não estão presentes nas pessoas com visão normal.
"Nossos resultados demonstram que as mudanças cerebrais neuroplásticas estruturais e funcionais que ocorrem como resultado da cegueira ocular desde cedo, podem estar mais distantes do inicialmente pensado", afirma a autora principal do trabalho, Corinna M. Bauer, do 'Schepens Eye Research Institute of Mass. Eye and Ear' e professora de Oftalmología na Escola de Medicina de Harvard, Estados Unidos. "Observamos alterações significativas não só no córtex occipital, (onde se processa a visão), como também em áreas implicadas na memória, no processamento da linguagem e nas funções sensoriais motoras", detalha.
Os investigadores utilizaram técnicas de ressonância magnética com imagens multimodais do cérebro para revelar estas mudanças em um grupo de 12 sujeitos com cegueira desde cedo, (congênitos ou que hajam adquirido cegueira profunda antes dos 3 anos) e compararam as explorações com um grupo de 16 indivíduos com visão normal (todos os sujeitos tinham a mesma faixa de idade). No escaner daqueles com cegueira desde cedo, a equipe observou alterações estruturais e funcionais de conectividade, incluindo evidência de conexões melhoradas, enviando informação de um lado a outro entre as áreas do cérebro que não foram observadas no grupo com visão normal.
Estas conexões que parecem ser únicas naqueles com cegueira profunda, sugerem que o cérebro "se reconecta" na ausência de informação visual para impulsionar outros sentidos, algo que é possível por meio do processo de neuroplasticidade, ou a capacidade de nossos cérebros para se adaptar naturalmente às nossas experiências. Os investigadores esperam que poder entender melhor estas conexões leve a esforços de reabilitação mais eficazes que permitirão aos indivíduos cegos compensar melhor a ausência de informação visual.
"Inclusive, no caso de alguém ser profundamente cego, o cérebro se reativa de uma forma na qual possa utilizar a informação disponível para interagir com o meio ambiente de uma maneira mais eficaz", destaca Lotfi Merabet, diretor do Laboratório de Neuroplasticidade Visual no 'Schepens Eye Research Institute do Massachusetts Eye and Ear' e professor associado de oftalmología na Escola de Medicina de Harvard.
"Si o cérebro pode se reconectar mesmo assim, talvez por meio da formação e do aumento do uso de outras modalidades como a audição e o tato e as funções da linguagem, como a leitura braille, há um tremendo potencial do cérebro para se adaptar", conclui.
Fonte em espanhol:
http://www.excelsior.com.mx/global/2017/03/23/1153737#view-1
Fonte: http://www.tecnoblind.org.br/noticias/o-cerebro-dos-cegos-se-reconecta-para-usar-outros-sentidos

http://www.todosnos.unicamp.br:8080/lab/o-cerebro-dos-cegos-se-reconecta-para-usar-outros-sentidos

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